sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Aneel indica trégua na conta de luz

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê um ano de relativa estabilidade tarifária, depois de 2015 registrar aumentos superiores a 50% nas contas de luz dos brasileiros. A previsão foi feita pelo diretor-geral da agência reguladora, Romeu Rufino, em entrevista ao Broadcast do jornal O Estado de S. Paulo. "Eu diria que a tarifa de energia elétrica tende a andar de lado, meio de lado. Eventualmente, podemos ter até uma pequena redução na tarifa de algumas distribuidoras", disse o executivo.Reunidos em Brasília para analisar as condições hidrológicas do início do ano, técnicos da Aneel e Chesf decidem reduzir vazão do principal reservatório do Nordeste
Segundo Rufino, os itens que mais contribuíram para elevar a conta de luz em 2015 vão ajudar a reduzi-la neste ano, principalmente para os consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.  É o caso da tarifa de Itaipu, que ficará 32,27% mais barata neste ano, e dos subsídios do setor elétrico - cobrados por meio do encargo Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) - que devem cair 7,27% para essas regiões.

A agência reguladora prevê que o impacto da redução desses dois itens será forte a ponto de neutralizar o custo de outros componentes, que vão subir ou acompanhar os índices de inflação.
Juntos, Itaipu e CDE foram responsáveis por praticamente metade do tarifaço de cerca de 50% de 2015. "A queda da tarifa de Itaipu e da CDE tende a neutralizar o aumento de outros itens. Por isso, acreditamos em uma certa estabilidade na conta de luz " 

Entre os itens que vão aumentar neste ano, estão a tarifa de Angra 1 e 2, que subirá 27,41%. De acordo com Rufino, porém, a energia dessas usinas abastece todos os Estados do País, de forma que o reajuste será diluído. Além disso, o volume de energia dessas usinas representa apenas 2% do mercado nacional.

Outro componente que vai contribuir para elevar a tarifa é a energia produzida pelas usinas antigas, leiloadas em novembro. Elas renderam uma outorga de R$ 17 bilhões ao governo, custo que será incluído na conta de luz. O impacto em cada distribuidora será diferenciado e vai depender da quantidade de cotas que cada empresa tem em seu mix de energia.

"Isso vai ser uma pressão de alta na tarifa, pois essa energia estava valorizada por cotas, cobrindo apenas o custo de operação e manutenção, e agora será substituída pelo valor do leilão", explicou Rufino. "Porém, proporcionalmente, não é um volume de energia tão expressivo", acrescentou.

Responsáveis por cerca de 25% da tarifa de energia, os custos gerenciáveis das distribuidoras, representados pela Parcela B, devem acompanhar o comportamento da inflação, assim como os demais contratos de energia firmados entre geradores e distribuidores. "Mas, com a redução de Itaipu e da CDE, esses itens que vão aumentar ou acompanhar a inflação devem ser neutralizados. É por isso que eu acredito na estabilidade das tarifas de energia neste ano", explicou Rufino.

O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, tem avaliação semelhante à de Rufino. "Acreditamos que as tarifas neste ano terão um viés de estabilidade e, em alguns casos, até baixa", disse.

O calendário de reajustes das tarifas de energia vai de fevereiro a dezembro, dependendo da data de aniversário de cada distribuidora. As primeiras a passarem pelo processo, no inicio de fevereiro, serão CPFL Jaguari, CPFL Mococa, CPFL Santa Cruz, CPFL Leste Paulista, CPFL Sul Paulista e Energisa Borborema.

Diferentemente do início de 2015, o descompasso entre oferta e demanda de energia também não será fonte de preocupações neste ano. De acordo com Rufino, o volume de chuvas sinaliza uma situação melhor do que se esperava para o setor. Além disso, a entrada de novas usinas no sistema, o aumento do nível de intercâmbio de energia entre as regiões e a redução do consumo, motivada pela queda do PIB, contribuíram para uma situação mais confortável para o setor elétrico neste ano. "Eu acho que 2016 promete ser um ano menos estressante no setor elétrico. Nós merecemos", afirmou o diretor-geral da Aneel.

Chesf reduz vazão de Sobradinho
As barragens do Rio São Francisco começaram o ano de 2016 apresentando números preocupantes. A começar pela maior delas: a barragem da Usina Hidrelétrica de Sobradinho (BA), onde encontra-se o terceiro maior lago artificial do mundo. O reservatório está com 2,11% de  volume útil. Nos três primeiros dias do ano, a vazão da barragem mostrou uma média de 970 m³/seg de água – o equivalente a 20,7% da média mensal histórica de vazão para o mês de janeiro, registrada entre 1931 e 2014 (4.677m³/seg). A pior marca para o mesmo mês ocorreu no ano passado: 1.106m³/seg.

Diante deste cenário, autoridades do setor de abastecimento de água e ambiental decidiram iniciar, ontem, uma fase de testes para ver se é possível reduzir a vazão da represa de Sobradinho para 800 metros cúbicos por segundo (m³/seg) de água a partir do dia 14. Hoje, a vazão está em 970 m³/seg. 

A decisão foi tomada durante reunião do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, formado pelo Operador Nacional do Sistema de Energia Elétrica (ONS), Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Ibama e Ministério Público, além de empresas e companhias de setores como os de abastecimento urbano, industrial, mineração, agropecuário, hidroviário, de irrigação, pesca, turismo e lazer; de organizações não governamentais, de ensino e de pesquisa; além de comunidades indígenas, quilombolas e de outras entidades dos poderes municipal, estadual e federal. Na primeira semana, a vazão será reduzida a 850m³/seg. Não havendo problema, a partir do dia 14, a barragem passará a trabalhar com a vazão pretendida. 

De acordo com a Agência Nacional das Águas (ANA), além de Sobradinho, as demais barragens do Rio São Francisco enfrentam situação similar. Na Usina de Três Marias (MG), a represa encontra-se com 6,76% do volume útil e 17% da média histórica de vazão para janeiro. A barragem de Itaparica (BA) está com 13,92% do volume útil e 23% da média histórica de vazão; e a de Queimados (MG), com 30,5% do volume útil e 20% da vazão histórica. Foi autorizada também a redução da vazão da barragem de Três Marias, dos atuais 350m³/seg para 300m³/seg, a partir desta semana.
fonte:Brasília (AE)

Nenhum comentário:

Postar um comentário